segunda-feira, 30 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Um conto fantástico meu e da Ká...
(sem título)
Era uma tarde fria de outubro quando o carro de som anunciou na praça da cidade
de Alfazemas: “Não percam, dia 31, o maravilhoso show da banda sensação do
momento: REBELDES”
A criançada da rua Malicuia entrou em estado de euforia! As garotinhas, que já
usavam sainha colegial e gravata vermelha, ficaram animadíssimas para ver seus
ídolos de perto.
Enquanto isso na rua Ling-Ling, Rapunzel acabava de voltar de seu horário de
almoço, e já se preparava para retomar seu trabalho. Ela era balconista em um
armarinho da cidade, chamado Pinta e Borda. A moça, além de linda, era uma ótima
vendedora, e também costurava muito bem. Fazia vestidos de festa, casamento e
formatura.
Porém, apesar de todas as qualidades, Rapunzel era uma moça triste, pois nunca
arranjara um namorado. Não que ela não quisesse, nem que não deixassem ou que
lhe faltasse beleza. Nada disso! Acontece que a moça morava na cidade de
Alfazemas, a cidade só de mulheres!
Então não havia homens, muito menos pretendentes para a bela jovem!
Vocês devem estar se perguntando: _ E como nasceram todas as crianças da
cidade? E os pais delas?
Pois bem, acontece que a cidade foi enfeitiçada pela Bruxa Leocádia, que
apaixonou-se por um viajante mas não foi correspondida
Depois de muitas tentativas de conquista, lágrimas, verrugas arrancadas, saias
rasgadas, poções inventadas, a Bruxa desistiu.
Mas não deixou isso de graça!!
Jurou que se ela não havia conquistado o seu homem, nenhuma outra mulher de
Alfazemas conquistaria e viveria feliz com um.
Jogou pela cidade uma poção feita com cuecas e pelos de bigodes, que fez com
que todos os homens, maiores de 18 anos, casados ou não, se mandassem dali
rumo ao centro-oeste do país.
E os meninos que ficassem, ao completarem a maioridade, fariam o mesmo.
As meninas que quisessem sair da cidade, poderiam. Mas só com a autorização da Bruxa. Se quisessem namorar, estariam condenadas a viver longe dos seus amores. E ai daquela que resolvesse não voltar para Alfazemas!!! A Bruxa lançava-lhe um feituço e a transformava em uma boneca!
Foi o que aconteceu com Emília, uma moça da cidade que apaixonou-se por um cigano e resolveu seguir viagem com ele. Leocádia, sem delongas, não deixou que a felicidade durasse. Resgatou Emíia e transformou-a em uma boneca de pano; mas a moça era tão convicta de seus sonhos, que não deixou que seu coraçãozinho (agora de almofada de agulhas) parasse de bater!
Mas voltando a nossa querida Rapunzel... Ela era uma das grandes amigas de Emília, e se sentia triste pelo triste fim da amiga, aquela que um dia compartilhou seus sonhos e planos. Quanto mais o tempo passava, mais Rapunzel se sentia sozinha e deprimida, pois a cada ano a cidade ia ficando mais vazia com a ausência dos rapazes e com a falta da sua amiga.
Certo dia, Dona Benta apareceu no armarinho e Rapunzel comentou sobre a grande movimentação na cidade por causa do show dos Rebeldes. Dona Benta disse que Emília só falava nisso e que estava com medo de que ela estivesse armando um plano para fugir com o cigano. Mas como eles iriam fazer isso, ela nem imaginava...
As meninas da cidade estavam eufóricas com a chegada de seus ídolos, ansiosas por estarem perto de alguém que tanto amavam! Mesmo sabendo que seria apenas um show. Mesmo assim, estavam felizes e foram ao armarinho comprar tecidos e pedir para que Rapunzel costurasse roupas idênticas a de seus ídolos.
Rapunzel se animou com a história e decidiu ir ao show. Pegou o que sobrou dos retalhos e fez uma roupa para ela também.
Enfim, chegou o grande dia. 31 de outubro, uma felicidade para a Bruxa Leocádia. Ela queria comemorar seu dia junto com aqueles Rebeldezinhos!
O ginásio da Escola Heitor Coruja estava lotado, as meninas cantando loucamente os refrões das músicas, e enfim os seis integrantes entraram no palco e arrasaram, como todos esperavam.
Enquanto o show rolava, Emília fugiu do sítio com a super ajuda do Saci, que com seu furacão saiu quebrando cercas e conseguiu chegar a cidade em poucos minutos. Emília agradeceu seu amigo e pediu um último favor: que ele tentasse entrar no ginásio e encontrasse o seu cigano em meio a toda aquela multidão.
O Saci voltou todo nervoso e contou para ela que a Bruxa Leocádia estava com o cigano em suas mãos e que estava a procura dela.
Emília ao invés de fugir, foi ao encontro dos dois para enfrentar a Bruxa e salvar o seu amor. Mas infelizmente, a Bruxa com todo seu poder a transformou de vez em uma boneca de pano, mas agora sem falar e sem os seus sentimentos.
A Bruxa, muito irritada com toda essa história, resolveu parar o show, pois também não estava mais aguentando toda aquela animação, todo aquele amor das meninas da cidade pelos meninos do Rebeldes. Lançou um pó sobre toda aquela multidão, e todas as pessoas que estavam apaixonadas transformariam-se em pequenas bonecas.
Mas para o seu azar, esqueceu que ela também havia se apaixonado pelo segurança da banda! E coitadinha, também virou uma boneca, mas horríiivel! As fãs da banda, todas vestidas iguais, reduziram-se a poucos centímetros e ficaram ali, todas juntinhas, esperando alguém busca-las.
E a única que não havia se apaixonado era a Rapunzel. Essa sim teve seu final feliz... Como o feitiço virou contra o feiticeiro, ou melhor, contra a feiticeira, tudo o que a Bruxa havia feito perdeu o seu encanto, e as meninas voltaram a ser meninas. Os homens e os meninos também voltaram para a cidade. Só a Bruxa Leocádia continuou sendo uma boneca horrível, sem dona e sem amor.
Certo dia, quando a cidade abrigava uma feira de cavaleiros, um belo rapaz passou pelo armarinho Pinta e Borda e.. ah! Agora vocês sabem o que aconteceu...
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A senhorinha do cintinho preto
Se não fosse o rosto já judiado pelo tempo, e as mãos manchadas de tanto sol, pelo corpo, 20 anos seria exato. Uma sacolinha na mão, sempre a mesma cor-de-rosa. Tudo era o mesmo de forma intercalada: o mesmo cinto fino e preto, as mesmas duas calças, os mesmos boleros, as três blusas de alguns anos, o calçado, a indignação, o mesmo juiz, sapato, batom, sobrancelha mal pintada, máquina, tudo igual.
E os mesmos risos. Ela entrava, todos se olhavam, riam de lado, cochichavam qualquer coisa e ela nem aí.
E era sempre igual. Fotos de perfil às escondidas, comentários maldosos e expectativas para mais um dia como todos os outros.
(...)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
voltando a respirar as letras
Gosto da Lispector. Da minha boca nunca saiu um "ohh, que magnífica!". Mas toda vez que a leio,ela me surpreende, porque escreve pra mim do jeito que eu quero e preciso! Sim, eu juro!
"Vou te dizer o que eu nunca te disse antes,
talvez seja isso o que está faltando: ter dito.
Se eu não disse, não foi por avareza de dizer,
nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca.
Se eu não disse é porque não sabia que sabia - mas agora sei.
Vou te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes,
e que também era verdade quando te disse,
mas é que só agora estou realmente dizendo."
Confesso que pensei: "Ohhh, que magnífica!".
Tenho pensado em como somos injustos com os que não conhecemos. Acredito que quando conhecemos realmente uma pessoa, agimos da forma como ela merece, pelo menos naquele momento. Mas nada, absolutamente NADA, justifica um pré-julgamento sem bases sólidas. Mas esse assunto fica pro próximo post. Talvez final de semana!
Beijinhoos
terça-feira, 28 de outubro de 2008
A massa
Talvez nada melhor a se fazer do que não fazer absolutamente nada. Seis e meia da tarde, a programação mais interessante da tv no momento, a novela, acabou. O sono começa a dar seus primeiros sinais. Um banho é o primeiro passo para começar a noite. Limpa, cheirosa e exausta. Hoje eu vou dormir cedo! (Trrimmmmm!!) O telefone toca, é para mim. - O que você ta fazendo? - Acabei de tomar banho! - Hum.. não quer caminhar? - Bom td bem, to passando aí daqui 15 minutos! Tiro o pijama, desisto do travesseiro, procuro os tênis. Eles ainda estão na mochila do passeio de domingo. As bolhas parecem estar mais calmas, um band-aid talvez as aquiete. Todos de vermelho. - Combinaram? - Não, é pura coincidência! - Red Hot! - Aham!
É incrível como as pessoas vestidas com roupas da mesma cor conseguem chamar tanta atenção! Uma garota com o ventre todo de fora, exibindo seu piercing, não consegue focar tantos olhares quanto um grupo de amigos de red! Produção em série de Henry Ford! Seios praticamente a mostra, coxas fartas, polpas de bundas, barrigas tanquinhos - masculinas e femininas - um show de anatomia humana. Todos se confundem e viram uma massa, não atraem olhares individuais. Exceto os comparativos. – Eu não gosto de barriga tanquinho! (Será?) – Garanto que eles combinaram! – O grupo da Sadia! – Vermelhou, no... a ideologia do... Qual será a ideologia de cada uma dessas pessoas?
O grupo se separa.
– OI... vocês por aqui! – Eu vou com elas agora ta?! – Sem problemas! Agora não somos mais um grupo de pimentas malaguetas chamando a atenção pelo cromo das camisetas. Tornamos-nos homogêneos junto à massa, pimentas trituradas, moídas e cozidas, que se diluíram com os outros ingredientes: pernas, barrigas, seios, bundas e olhares...
Re-postagem!
Beijos a todos!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
leia mas não reflita
Caramba, a contra gosto isso funciona.
Pare e pense: quando vc mais espera, mais precisa (isso vale para vc msm, um teste d auto-critica), vc sempre se decepciona. Ai que vem o grande lance, o lado positivo da situação! (Sim, existe!) - quando vc nao espera, vc se surpreende!
-o pé atrás, a pulga atrás da orelha, o rabo de olho, a DES-CONFIANÇA!
esses artifícios podem funcionar quando a questão for decepção.
Pessimismo nunca! Apenas não pense.
O Ministério da Saúde adverte: pensar demais causa neurose.
apenas viva. com ou sem decepções.
esqueça tudo.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
ausência
quero deixar um beijo a todos os meus verdadeiros amigos!
prometo preparar algo p semana q vem...
enquanto isso, os deixo com um dos meus preferidos do Carlos..
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Pois é! NINGUÉM mais....