quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A senhorinha do cintinho preto

Dez e quinze da manhã. Lá estava ela, todos os dias, no mesmo horário. A mesma roupa e as mesmas poucas palavras: tem um computador pra mim?
Se não fosse o rosto já judiado pelo tempo, e as mãos manchadas de tanto sol, pelo corpo, 20 anos seria exato. Uma sacolinha na mão, sempre a mesma cor-de-rosa. Tudo era o mesmo de forma intercalada: o mesmo cinto fino e preto, as mesmas duas calças, os mesmos boleros, as três blusas de alguns anos, o calçado, a indignação, o mesmo juiz, sapato, batom, sobrancelha mal pintada, máquina, tudo igual.
E os mesmos risos. Ela entrava, todos se olhavam, riam de lado, cochichavam qualquer coisa e ela nem aí.
E era sempre igual. Fotos de perfil às escondidas, comentários maldosos e expectativas para mais um dia como todos os outros.

(...)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

voltando a respirar as letras

Os bons ares estão de volta. Enfim. Mas nada do que uma boa dose de clausura para revigorar os pensamentos.
Gosto da Lispector. Da minha boca nunca saiu um "ohh, que magnífica!". Mas toda vez que a leio,ela me surpreende, porque escreve pra mim do jeito que eu quero e preciso! Sim, eu juro!
"Vou te dizer o que eu nunca te disse antes,
talvez seja isso o que está faltando: ter dito.
Se eu não disse, não foi por avareza de dizer,
nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca.
Se eu não disse é porque não sabia que sabia - mas agora sei.
Vou te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes,
e que também era verdade quando te disse,
mas é que só agora estou realmente dizendo."

Confesso que pensei: "Ohhh, que magnífica!".

Tenho pensado em como somos injustos com os que não conhecemos. Acredito que quando conhecemos realmente uma pessoa, agimos da forma como ela merece, pelo menos naquele momento. Mas nada, absolutamente NADA, justifica um pré-julgamento sem bases sólidas. Mas esse assunto fica pro próximo post. Talvez final de semana!
Beijinhoos

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A massa

Talvez nada melhor a se fazer do que não fazer absolutamente nada. Seis e meia da tarde, a programação mais interessante da tv no momento, a novela, acabou. O sono começa a dar seus primeiros sinais. Um banho é o primeiro passo para começar a noite. Limpa, cheirosa e exausta. Hoje eu vou dormir cedo! (Trrimmmmm!!) O telefone toca, é para mim. - O que você ta fazendo? - Acabei de tomar banho! - Hum.. não quer caminhar? - Bom td bem, to passando aí daqui 15 minutos! Tiro o pijama, desisto do travesseiro, procuro os tênis. Eles ainda estão na mochila do passeio de domingo. As bolhas parecem estar mais calmas, um band-aid talvez as aquiete. Todos de vermelho. - Combinaram? - Não, é pura coincidência! - Red Hot! - Aham!

É incrível como as pessoas vestidas com roupas da mesma cor conseguem chamar tanta atenção! Uma garota com o ventre todo de fora, exibindo seu piercing, não consegue focar tantos olhares quanto um grupo de amigos de red! Produção em série de Henry Ford! Seios praticamente a mostra, coxas fartas, polpas de bundas, barrigas tanquinhos - masculinas e femininas - um show de anatomia humana. Todos se confundem e viram uma massa, não atraem olhares individuais. Exceto os comparativos. – Eu não gosto de barriga tanquinho! (Será?) – Garanto que eles combinaram! – O grupo da Sadia! – Vermelhou, no... a ideologia do... Qual será a ideologia de cada uma dessas pessoas?

O grupo se separa.

– OI... vocês por aqui! – Eu vou com elas agora ta?! – Sem problemas! Agora não somos mais um grupo de pimentas malaguetas chamando a atenção pelo cromo das camisetas. Tornamos-nos homogêneos junto à massa, pimentas trituradas, moídas e cozidas, que se diluíram com os outros ingredientes: pernas, barrigas, seios, bundas e olhares...



Re-postagem!
Beijos a todos!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

leia mas não reflita

Nunca gostei muito desse tipo de atitude, comportamento, filosofia de vida ou seja qual for a tal classificação, mas com o desenrolar desse looongo e embaraçado novelo chamado "relacionamento", tenho tentado (-sempre) me adaptar a tal: sempre espere ser decepcionado para não se decepcionar.
Caramba, a contra gosto isso funciona.
Pare e pense: quando vc mais espera, mais precisa (isso vale para vc msm, um teste d auto-critica), vc sempre se decepciona. Ai que vem o grande lance, o lado positivo da situação! (Sim, existe!) - quando vc nao espera, vc se surpreende!
-o pé atrás, a pulga atrás da orelha, o rabo de olho, a DES-CONFIANÇA!
esses artifícios podem funcionar quando a questão for decepção.
Pessimismo nunca! Apenas não pense.
O Ministério da Saúde adverte: pensar demais causa neurose.


apenas viva. com ou sem decepções.
esqueça tudo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ausência

Eis aqui eu denovo. Como o tempo passa! Sempre depressa nos momentos que deveria parar.Mas as vezes tão devagar.. Completei as 21 primaveras =D Estou feliz. Quase nada mudou, isso era de se esperar! (pq será que a gente não percebe as mudanças? seria tão mais produtivo o nosso crescimento..) pois bem., fiquei feliz em ter mais amigas que escrevem.. a Mariana e a Paula, duas queridas da faculdade. Acho que os 21 ao inves de me trazerem inspirações, levaram elas embora.. faz tempo q eu nao tenho um insight "daqueles"!
quero deixar um beijo a todos os meus verdadeiros amigos!
prometo preparar algo p semana q vem...
enquanto isso, os deixo com um dos meus preferidos do Carlos..

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Pois é! NINGUÉM mais....

sábado, 9 de agosto de 2008

Meu nome, minha idade, o que faço, onde moro. Isso me deixaria mais apresentável? E realmente importa?
As pessoas hoje não se importam mais com questões tão íntimas! Nome? Pra que se a boca nem pede convite?
O que faz, importa apenas no momento, e somente aquilo que é feito no momento. Se falhou, se esqueceu, se deixou cair o copo de suco em cima do freguês, se broxou. Só isso importa.
Onde mora? Tá falando sério? Desde quando amigos se visitam? Melhor, desde quando amigos nao mais se visitam?
Quantos eus cabem na definição do meu próprio eu? E quantas vontades precisarei sentir para que todas as minhas vontades sejam sanadas?
Chuva, frio, casaco, café, flor, ânsia. Carro e gente. Pouca gente e muito carro.
A cigana do meu sonho quis levar aquilo que eu não sabia q eu tinha. Poder. E conseguiu levar meu medo.
09 de agosto. 33 dias para completar vinte e uma primaveras.
... e quem se importa?...

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quem vai dizer ao coração, que a paixão não é loucura?!

Sentimento bom que não teve nem tempo de começar.
Que tal um prato de Marta Rocha? Ah.. e falando em Marta Rocha, dança, teatro... Dercy!
Puts, a Dercy (grande Dercy) morreu. Quem diria? E aquela história do 4.045, agora vai ficar no mausoléu! Quem faz história, fica na História.
Bom.. hj to totalmente sem inspiração, ou melhor, acho q estou inspirada demais! Já apaguei 3 vezes o q eu realmente queria escrever. Mas desisti. Eu acho que sempre desisto muito fácil. Preciso melhorar. Alguma dica?
Som do momento: Yesterday - The Beatles
Eles tb fizeram História!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Era estranho quando ele chegava e ao mesmo tempo bom. Aquele relativo curto tempo de espera era suficiente para gerar angústia, medo, saudade, insegurança, calafrio e, esporadicamente, leves episódios de masoquismo. Triste. Mas quando o ronco do motor apontava na esquina, as pálpebras ficavam pesadas, o sono vinha e aquela tensão no corpo todo ia embora como se alguém tivesse tirado com as mãos. Talvez. Mas eram mãos que não tocavam. Mãos que não acertavam a fechadura, mãos que seguravam com insegurança o corrimão. Mas ele estava ali, e a sensação de medo, de angústia, de qualquer sentimento repudiado ia embora na velocidade oposta com que ele caminhava. Passos curtos e tropeçantes. A porta fechava, murmúrios ao longe, sorriso no rosto e mais um capítulo se encerrava. Igual ao anterior.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

História subterrânea

Conhecer
de
Novo
Re - conhecer
SE é denovo,
novo não é mais.
Já é velho.

E o conto conta a velha história.
Um ensaio chamado "conto contado num beco".


Eu quero um canto só pra mim.
Quero cantar um conto.

Retiraram-me as linhas.
Rarefeita platéia.

Muito óbvio. O eterno João.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

e afinal, quem é a Tereza?
disseram-me que pintaram a Virgem Maria.
E o diabo? Existe mesmo ou será só mais uma carência dos homens?
Talvez esteja na hora de sair, pq também me disseram que a festa acabou.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

queria estar bem perto
para tomar a decisão de me afastar.
ficar bem longe.
e depois sentir falta.

talvez voltar.
ficar talvez.
perto, mais uma vez.

sábado, 19 de abril de 2008

a morena dos meus olhos

quieta, inquieta
calma, esperta

a menina morena, que vive nos meus olhos

tímida, não gosta de luz
retrai-se
nao gosta de sol

espera a noite para brilhar
discreta, ela mostra-se

procura, mas nao me acha
eu só a enxergo no espelho
será que ela me enxerga?

a menina morena que vive nos meus olhos.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

tempo perdido

ter o tempo todo
um pouco de tempo
pra se perder

tempo pouco se perde
muito se tapa
do que nao pode se ver

a espera, calma e clara
mostra a face do que
um dia ainda será

perder o tempo todo
todo o tempo
procurando
aquilo que nao se quer achar.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Assuntos particularmente coletivos

Acho que as pessoas ainda estão dormindo. Precisam ver alguém cair de um 5º andar para se revoltarem contra o próprio ser humano. Ou melhor, contra a crueldade contra uma única vida. João Hélio (alguém se lembra?), agora está desacordado na mente dessas pessoas que se ocupam com o caso da Isabella. Quando a Isabella pegar no sono, o Lula vai ser acordado, e a Dilma vai despertar junto com ele. Talvez, o despertar coletivo mais recente tenha sido dos não sobreviventes do vôo (vou aproveitar enquanto essa grafia ainda existe) da Gol (recordam-se?). Ai essa tal hipocrisia, é tão besta. É tão presente. Tá tão normal. Nãão! Eu não quero isso, eu quero um bom dia logo de manhã, eu quero ouvir um muito obrigado, eu preciso ouvir um com licença! Eu quero que a morte do Zé Linguiça, lá de não sei onde, também seja motivo de revoltas não apenas para os seus vizinhos. Eu quero que a Dilma seja realmente a sucessora e que mande aqueles dociês lá pra casa do Zé Dirceu, que é mais "importante" que o Zé Linguiça. Eu quero dormir, eu quero que a TPM passe, eu quero que o amanhã, que vai ser igual a ontem, chegue logo, porque eu tenho a esperança de ouvir um BOM DIA. E eu quero acreditar que a minha gata não morreu, que os meus amigos são de verdade, que o meu conhecimento não é em vão, que os políticos são justos, que os policiais não são traficantes, que meu pai é honesto, que as juras de amor são sinceras e que as pessoas logo logo irão acordar.

Hoje tudo estava tão bom, praticamente perfeito, se não fosse a minha maldita sensibilidade. As lágrimas correm como os rios que nunca morrem. E ninguém, mais uma vez, não tem nada a ver com isso. Infelizmente.

sábado, 5 de abril de 2008

Sem esforços

Por questões óbvias, o amor, agora, depende só de mim. Por isso, ele vai continuar guardado lá naquela caixinha que um dia eu escondi em algum lugar que nem me lembro mais. Naquele tempo, em que o amor era um motivo comum e não dependia só de mim. Não planejei isso, mas eu perdi a chave e não estou dispostas a procurá-la.Caso alguém encontrar, entregue-a no guarda-volumes, eu ficarei agradecida. Assim que eu romper o contrato que assinei comigo mesma, juro que pensarei no caso de ir buscá-la onde você deixou pra mim. Não espere, meu tempo é diferente do seu, e eu posso demorar. Mas se encontrar, eu agradeço.

Eu sinto uma ponta de felicidade.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Casa comigo

Agradecimentos ao meu amigo Rodrigo Gonzatto, um grande incentivador do meu blog (hahaha.. vc eh praticamente meu unico visitante, mas ok neh?), que gentilmente me enviou este poema FANTÁSTICO! Eu, com facilidade, me enxergo ali, sendo a personagem coadjuvante do caso! Quem sabe, (eu pretendo..), em breve, muito breve, postar algum texto meu! Estou quase que sem tempo, entao, um ctrl c ctrl v vai bem!
Dizer à minha mãe que ela eh a pessoa mais maravilhosa desse mundo, mais linda, mais abençoada e mais amada que eu conheço! E dizer que ela sempre, pra sempre, será o meu grande amor!
Um beijo a todos os espectros visitantes =)
Um pouco de verdade nesse dia da mentira!

CASA COMIGO (Michel Melamed)
casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo. a mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada... a mais bem comida. e a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada. e a mais festas, viagens, jantares... casa comigo que te faço pessoa mais realizada profissionalmente. e a mais grávida e a mais mãe. e a pessoa mais as primeiras discussões. a pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre. casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo. te faço a pessoa mais solitária com um filho pra criar do mundo. a pessoa mais foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas. a mais reconstruiu sua vida. a mais conheceu uma nova pessoa, a mais se apaixonou novamente... casa comigo que te faço a pessoa mais "casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo.

sábado, 8 de março de 2008

amada metade

minha amada mae, amada
beldade
flor amarela, rosa flor
mae, minha metade amada.


seu cheiro, suas mãos,
seu colo, seu ombro,
seu tudo, você;

minha metade que ama.




domingo, 2 de março de 2008

Fique aonde está.

Não me critique. Melhor, não me venha com acusações tolas, sobre qualquer assunto, sem antes consultar a sua vasta e rica lista de argumentos. Argumentos no mínimo razoáveis, por favor. Não dei a liberdade e muito menos motivo plauzível para condenar meus hábitos, pensamentos, horários ou amores. Caso seu comportamento e suas atitudes sejam dignas de alguém de consciência limpa, que bom, pode vir que eu estou preparada. Porém, se o seu discurso está baseado em jargões sociais e metido a politicamente correto, poupe-me de qualquer esforço, meu bem!! Já basta eu perder meu tempo para meia dúzia de idiotas perderem seu tempo lendo essa inútil revolta no meu momento de insônia. Se os seus princípios diferem dos meus, que bom! Não somos iguais. O mundo não seria nenhum pouco interessante (Mundo, mundo vasto mundo, mais vasto é o meu coração!), muito menos seria adjetivado por Drummond de vasto, caso todas as pessoas pensassem da mesma maneira. Todos os caminhos nos levariam ao mesmo lugar, pois os caminhos seriam os mesmos, se não, o mesmo. Portanto, fique aí, continue bem aí onde você sempre esteve, mas nunca soube. Tenho medo dos seres hipócritas. Aqueles que pensam, mas nunca falam, ou falam aquilo que não pensam, ou simplesmente aqueles que não pensam. Agora não sei se penso ou se sinto. Prefiro dormir. Sabe você, quem.