quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A senhorinha do cintinho preto

Dez e quinze da manhã. Lá estava ela, todos os dias, no mesmo horário. A mesma roupa e as mesmas poucas palavras: tem um computador pra mim?
Se não fosse o rosto já judiado pelo tempo, e as mãos manchadas de tanto sol, pelo corpo, 20 anos seria exato. Uma sacolinha na mão, sempre a mesma cor-de-rosa. Tudo era o mesmo de forma intercalada: o mesmo cinto fino e preto, as mesmas duas calças, os mesmos boleros, as três blusas de alguns anos, o calçado, a indignação, o mesmo juiz, sapato, batom, sobrancelha mal pintada, máquina, tudo igual.
E os mesmos risos. Ela entrava, todos se olhavam, riam de lado, cochichavam qualquer coisa e ela nem aí.
E era sempre igual. Fotos de perfil às escondidas, comentários maldosos e expectativas para mais um dia como todos os outros.

(...)

Um comentário:

chavedefenda disse...

bem bacana... muito bacana mesmo :]